terça-feira, 24 de maio de 2011

GramaTITICA


As explicações do Ministro da Educação e Cultura defendendo a gramática que ensina o português errado (com inobservância de concordância) beira o ridículo. Segundo ele trata-se de uma gramática que aceita os erros cometidos coloquialmente no dia-a-dia e direcionada para adultos – é aquela idéia de que se adulto não aprendeu algo não aprenderá mais. Desta forma, estamos simplesmente desistindo de alfabetizar o adulto e este, por sua vez, tampouco cobrará de seus filhos em idade escolar para o uso correto do português. Mas convenhamos que para um País que teve um Presidente que não tinha o hábito da leitura e cometia seguidos erros de português em seus discursos a tal gramática é só mais um fato na precária educação dada nas escolas do Brasil.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Mega Sena de Palocci.


Toda semana aposto meus números na Mega Sena com a esperança de ganhar uma bolada e antecipar minha aposentadoria. Com os R$ 7,5 milhões que o Ministro Palocci ganhou com sua empresa de consultoria cheguei à conclusão que outro caminho é ocupar a pasta de Ministro da Fazenda e após prestar serviços para empresas. Segundo o Dr. Palocci, basta ter ocupado o referido cargo para faturar esta quantia. Particularmente gostaria de saber que tipo de consultoria foi prestado e quais empresas contrataram a empresa de Palocci. Sei que ele é médico sanitarista e duvido que alguma empresa tenha contratado o Dr. Palocci para prestar consultoria nesta área. Desta forma fica a dúvida: teriam contratado para descobrir formas de driblar o fisco? Ou teriam contratado para garantir informações sigilosas em licitações? Estas e outras questões estão em aberto, pois a tal cláusula de confidencialidade é usada para omitir os clientes e o motivo pelos quais a consultoria de Palocci foi contratada. Sendo assim, tudo pode ser especulado. Enquanto isso sigo jogando na Mega Sena.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Megalomania destrutiva.


“Nunca antes na história deste País” tivemos um Presidente com complexo de megalomania. Leio que as obras dos estádios que estão sendo construídos para a Copa de 2014 já subiram em 15% (certamente subirá mais). Enquanto fatura R$ 200.000,00 por palestra, sua sucessora tem que lidar com a inflação que atormenta a nossa economia, cortar gastos criados pelo governo anterior, sem que os eventos faraônicos – Copa do Mundo e Olimpíada – sejam comprometidos. Trata-se de uma tarefa hercúlea, pois temos um orçamento apertado por demandas sociais (saúde, educação, segurança, saneamento, energia etc.), máquina pública inchada, ainda mais que o governo do Presidente Lula criou dois milhões de empregos públicos, e uma série de reformas políticas e estruturais de difícil realização para quem tem que tratar com uma classe política necrosada e corporativa.

Enquanto a população morre na fila dos hospitais por falta de um atendimento qualificado em postos de saúde e tem seu estado piorado com a ausência de saneamento básico, enquanto aviões ficam parados no solo, passageiros dormem no saguão por falta de equipamentos para pouso em dias neblina ou estrutura para suportar a demanda, enquanto a população se espreme em ônibus feitos sardinhas em lata, enquanto carros entopem nossas ruas por falta de um transporte público adequado e investimento viário, enquanto recebemos uma educação de baixa qualidade convivemos com um Brasil que gasta muito e gasta mal, que tem que arcar com sonhos de um megalômano que surfou nas ondas de uma economia que sobreviveu graças à venda de commodities para a China no seu período de governo. A Presidente Dilma tenta se deslocar de sua imagem, mudando a visão do Brasil frente a questões políticas internacionais, mas terá que pagar uma conta enorme ou ver o Brasil pagar o mico do século com o iminente fracasso nestes dois eventos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Centralismo


Seguidamente escrevo sobre o nosso capenga sistema federalista, que segundo a socióloga Aspácia Camargo “federalismo é só no Brasão”. Recentemente li uma entrevista com o professor de ética e política da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Roberto Romano – Doutor em Filosofia pela École des Hautes Études em Sciences Sociales (França) - abordando o tema burocracia, centralismo e impunidade como fatores que emperram os serviços públicos.

Segundo Romano, com a grande extensão do território nacional as responsabilidades deveriam ser divididas com autonomia a Estados e municípios. Contudo, no Brasil tudo é centralizado, diferente do que ocorre nos EUA e na Europa. O professor deu como exemplo que as leis desconsideram as diferenças regionais. Lei editada em Brasília vale para Manaus e Porto Alegre, gerando insegurança jurídica. Um governador ou prefeito nunca pode ter certeza de estar operando no seu âmbito pois tudo vem de Brasília e tudo volta para Brasília..

A máquina burocrática federal, por maior que seja, jamais dará conta de tudo na aplicação das políticas públicas, pois temos um país imenso, cuja população cresceu e ocupou o Interior, com uma estrutura arcaica e absolutista de governo. Assim como pensa a socióloga Aspácia Camargo, para o professor o Brasil é uma suposta federação, um império de verdade. Estados e municípios não têm autonomia. Estão dominados por uma máquina burocraticamente monstruosa.

O professor ainda aborda na matéria sobre a demora para a conclusão de obras. Diversos componentes fazem emperrar o processo. As empreiteiras se tornaram sério problema desde que passaram a ser fornecedoras do governo. Há as licitações, com trâmites que demoram séculos. Uma obra iniciada como prioridade no governo anterior, acaba sendo preterida. E não há elemento que constranja o novo governo a continuar a obra anterior. Não existe a ideia de planejamento obrigatório. É falta de prudência, desperdício. Na França, onde viveu o Professor, governantes são responsabilizados diante de tribunais e da população. Aqui, as autoridades estão protegidas pelo privilégio do foro. Se não tem o princípio da responsabilização, quem irá responder por uma obra que não terminou? Ninguém.

terça-feira, 22 de março de 2011

Blog da Bethânia


A ministra Ana de Hollanda (Cultura) minimizou controvérsia gerada com a aprovação, pelo ministério, de projeto de R$ 1,3 milhão para a criação de um blog com leituras de poesia pela cantora Maria Bethânia. Mas convenhamos que trata-se de um verdadeiro absurdo um artista do renome da cantora Maria Bethânia utilizar da lei de Incentivo a Cultura para captar recursos para a criação de um blog. Imagino a cantora Maria Bethânia chegando ao Ministério da Cultura cantando uma música de grande sucesso – “Grito de Alerta” de Gonzaguinha – e implorando pela benesse: “...São tantas coisinhas miúdas/ Roendo, comendo/ Arrasando aos poucos/ Com o nosso ideal /São frases perdidas num mundo/ De gritos e gestos/ Num jogo de culpa/ Que faz tanto mal... Não quero a razão/ Pois eu sei/ O quanto estou errado...”. É uma pena que uma artista de tamanho renome tenha feito tal pedido e que o Ministério da Cultura tenha aceitado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Disciplina japonesa


Em 2006 tive a felicidade de ir ao Japão para ver o meu time – Internacional – se sagrar Campeão do Mundo e nesta oportunidade tive a felicidade de observar como os japoneses são disciplinados e preparados para os constantes terremotos que não tem hora para acontecer. Trata-se de um povo paciente, educado, que respeita a faixa de segurança (não atravessam a rua com sinal fechado mesmo se não tem carro a vista), não jogam sujeira ou toco de cigarro nas calçadas (mesmo com a retirada de lixeiras, após um atentado terrorista em que deixaram uma bomba neste equipamento urbano). Desde a escola as crianças recebem treinamento para enfrentar fortes tremores de terra e as construções civis são preparadas para balançar e não cair.

Contudo, a tsunami dizimou com cidades costeiras, matando milhares de pessoas, ocasionando um estrago grande na infraestrutura daquele país e com a possibilidade de um grave acidente nuclear na usina de Fukushima traz a tona receio de contaminação radioativa e desconfiança de que os responsáveis pela usina estejam escondendo a verdade para a população. Aqui do outro lado do mundo, esperamos que o Japão conserte os danos causados na usina e certamente, com a paciência, disciplina e obstinação, o povo japonês conseguirá se reerguer mais uma vez desta grande tragédia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Diagnóstico


Já cansei de escrever sobre as mazelas que assolam nosso Brasil – “...gigante pela própria natureza...” e aqui tentarei mostrar para o leitor as causas de tanto desmandos, corrupção e falta de planejamento que atrasam nosso País – “...deitado eternamente em berço esplêndido...”. Nos deslizamentos do Rio de Janeiro, nos alagamentos em São Paulo, nos gargalos de infraestrutura que encarecem o “custo Brasil”, na falta de educação de qualidade ou nas filas em postos de saúde a causa é uma só: Estado inchado e cargos loteados para políticos despreparados tecnicamente (o mínimo para se dizer) para gerir o setor público.

Na posse dos Congressistas já vislumbramos o retrato da nossa classe política: tomaram posse figuras da área de esporte ou circense que, sem trabalho ou endividados, encontraram na sua popularidade uma forma de conseguir através do cargo político uma forma de garantir um rendimento certo e polpudo no fim do mês.

A Presidenta Dilma tem que quebrar a cabeça para preencher os cargos das mais diversas pastas ministeriais, agências de regulação e estatais tentando compatibilizar o aspecto de conhecimento técnico com a forte pressão dos partidos aliados – leia-se PMDB – loteando cargos com gente despreparada, algo nefasto para um planejamento eficaz da máquina estatal.

Recentemente, o governo sinalizou que cessará com concursos públicos previstos e com futuras nomeações de concursados. Com o estado inchado, pressionando os gastos públicos, fica difícil diminuir os juros, construir uma proposta de reforma tributária que incentive a produção de riquezas. Sobre a máquina inchada o correto seria fazer um diagnóstico para deslocar servidores de setores onde sobra pessoal para outros onde falta, com o devido treinamento. Mas creio que isto não passa de utopia e lá na frente, perto das eleições, o governo fará sangrar os cofres inchando mais ainda a ineficiente máquina estatal.