sexta-feira, 10 de junho de 2011

Viciado em endorfina.




Desde os 18 anos sofro com um desvio na vértebra L5 que comprime o ciático, repuxa a perna esquerda e faz as costas sofrerem com as dores. Não preciso ligar o despertador, pois a coluna tem hora para me levantar na cama. Com este problema físico só restou me adaptar, fazendo alongamentos, caminhadas, dieta e largando a cerveja com amigos para não “embarrigar”. Lógico que este modo de vida fez de mim um ser VICIADO EM ENDORFINA e que evita carregar peso, pois quero fugir da cirurgia. Outro fato que acontece com este desvio é o encurtamento da perna esquerda com a bacia torta e isto fez com que o tênis deste lado desgaste bem mais que o direito.

Com este problema, adiei ter filho (não queria carregar criança no colo) e procurei trabalho que não agredisse meu corpo e possibilitasse continuar com os cuidados com a saúde. Acabou que tive filho com um antiga paixão da minha vida e de uma hora para outra tinha que carregar meu filho e sustentá-lo. Fechei uma confecção que carregava a marca VICIADO EM ENDORFINA, passei em um concurso público (estou emburrecendo). Se perdi por um lado eu ganho por outro. A qualidade de vida pode ser pior. Mas ter ao lado a mulher que eu amo e um filho sensacional (que dá trabalho – ufa!) não tem preço.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mudança de pensamento.


Durante o governo Brito o PT moveu o mundo contra a vinda da GM e a tentativa da vinda da Ford, que culminou com a perda do investimento para Camaçari, na Bahia, no início do governo Olívio, que na tentativa de “espraiar” o crescimento de forma harmônica em todo o Estado quase quebrou o Rio Grande do Sul fazendo a economia gaúcha andar para trás.

Agora, o governador Tarso Genro, do mesmo PT, parece ter mudado de opinião, mantendo contatos com empresas coreanas na tentativa de conseguir novos empreendimentos (e empregos) para o Rio Grande do Sul. A declaração do governador Tarso mostrou grandeza ao reconhecer que outros governadores tiveram méritos na história do Rio Grande do Sul: “-São sucessivos governos que vêm construindo uma relação global, mas o momento é ótimo agora”. Particularmente, discordei de diversas atitudes do Governador Tarso Genro na época em que fora Ministro da Educação e mais recentemente no caso Cesare Battiste já como Ministro da Justiça, mas tenho que enaltecer a postura do Governador Tarso na tentativa de conseguir novos investimentos e respeitando os governos anteriores, bem diferente do ultimo petista que governou o Estado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

GramaTITICA


As explicações do Ministro da Educação e Cultura defendendo a gramática que ensina o português errado (com inobservância de concordância) beira o ridículo. Segundo ele trata-se de uma gramática que aceita os erros cometidos coloquialmente no dia-a-dia e direcionada para adultos – é aquela idéia de que se adulto não aprendeu algo não aprenderá mais. Desta forma, estamos simplesmente desistindo de alfabetizar o adulto e este, por sua vez, tampouco cobrará de seus filhos em idade escolar para o uso correto do português. Mas convenhamos que para um País que teve um Presidente que não tinha o hábito da leitura e cometia seguidos erros de português em seus discursos a tal gramática é só mais um fato na precária educação dada nas escolas do Brasil.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Mega Sena de Palocci.


Toda semana aposto meus números na Mega Sena com a esperança de ganhar uma bolada e antecipar minha aposentadoria. Com os R$ 7,5 milhões que o Ministro Palocci ganhou com sua empresa de consultoria cheguei à conclusão que outro caminho é ocupar a pasta de Ministro da Fazenda e após prestar serviços para empresas. Segundo o Dr. Palocci, basta ter ocupado o referido cargo para faturar esta quantia. Particularmente gostaria de saber que tipo de consultoria foi prestado e quais empresas contrataram a empresa de Palocci. Sei que ele é médico sanitarista e duvido que alguma empresa tenha contratado o Dr. Palocci para prestar consultoria nesta área. Desta forma fica a dúvida: teriam contratado para descobrir formas de driblar o fisco? Ou teriam contratado para garantir informações sigilosas em licitações? Estas e outras questões estão em aberto, pois a tal cláusula de confidencialidade é usada para omitir os clientes e o motivo pelos quais a consultoria de Palocci foi contratada. Sendo assim, tudo pode ser especulado. Enquanto isso sigo jogando na Mega Sena.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Megalomania destrutiva.


“Nunca antes na história deste País” tivemos um Presidente com complexo de megalomania. Leio que as obras dos estádios que estão sendo construídos para a Copa de 2014 já subiram em 15% (certamente subirá mais). Enquanto fatura R$ 200.000,00 por palestra, sua sucessora tem que lidar com a inflação que atormenta a nossa economia, cortar gastos criados pelo governo anterior, sem que os eventos faraônicos – Copa do Mundo e Olimpíada – sejam comprometidos. Trata-se de uma tarefa hercúlea, pois temos um orçamento apertado por demandas sociais (saúde, educação, segurança, saneamento, energia etc.), máquina pública inchada, ainda mais que o governo do Presidente Lula criou dois milhões de empregos públicos, e uma série de reformas políticas e estruturais de difícil realização para quem tem que tratar com uma classe política necrosada e corporativa.

Enquanto a população morre na fila dos hospitais por falta de um atendimento qualificado em postos de saúde e tem seu estado piorado com a ausência de saneamento básico, enquanto aviões ficam parados no solo, passageiros dormem no saguão por falta de equipamentos para pouso em dias neblina ou estrutura para suportar a demanda, enquanto a população se espreme em ônibus feitos sardinhas em lata, enquanto carros entopem nossas ruas por falta de um transporte público adequado e investimento viário, enquanto recebemos uma educação de baixa qualidade convivemos com um Brasil que gasta muito e gasta mal, que tem que arcar com sonhos de um megalômano que surfou nas ondas de uma economia que sobreviveu graças à venda de commodities para a China no seu período de governo. A Presidente Dilma tenta se deslocar de sua imagem, mudando a visão do Brasil frente a questões políticas internacionais, mas terá que pagar uma conta enorme ou ver o Brasil pagar o mico do século com o iminente fracasso nestes dois eventos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Centralismo


Seguidamente escrevo sobre o nosso capenga sistema federalista, que segundo a socióloga Aspácia Camargo “federalismo é só no Brasão”. Recentemente li uma entrevista com o professor de ética e política da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Roberto Romano – Doutor em Filosofia pela École des Hautes Études em Sciences Sociales (França) - abordando o tema burocracia, centralismo e impunidade como fatores que emperram os serviços públicos.

Segundo Romano, com a grande extensão do território nacional as responsabilidades deveriam ser divididas com autonomia a Estados e municípios. Contudo, no Brasil tudo é centralizado, diferente do que ocorre nos EUA e na Europa. O professor deu como exemplo que as leis desconsideram as diferenças regionais. Lei editada em Brasília vale para Manaus e Porto Alegre, gerando insegurança jurídica. Um governador ou prefeito nunca pode ter certeza de estar operando no seu âmbito pois tudo vem de Brasília e tudo volta para Brasília..

A máquina burocrática federal, por maior que seja, jamais dará conta de tudo na aplicação das políticas públicas, pois temos um país imenso, cuja população cresceu e ocupou o Interior, com uma estrutura arcaica e absolutista de governo. Assim como pensa a socióloga Aspácia Camargo, para o professor o Brasil é uma suposta federação, um império de verdade. Estados e municípios não têm autonomia. Estão dominados por uma máquina burocraticamente monstruosa.

O professor ainda aborda na matéria sobre a demora para a conclusão de obras. Diversos componentes fazem emperrar o processo. As empreiteiras se tornaram sério problema desde que passaram a ser fornecedoras do governo. Há as licitações, com trâmites que demoram séculos. Uma obra iniciada como prioridade no governo anterior, acaba sendo preterida. E não há elemento que constranja o novo governo a continuar a obra anterior. Não existe a ideia de planejamento obrigatório. É falta de prudência, desperdício. Na França, onde viveu o Professor, governantes são responsabilizados diante de tribunais e da população. Aqui, as autoridades estão protegidas pelo privilégio do foro. Se não tem o princípio da responsabilização, quem irá responder por uma obra que não terminou? Ninguém.

terça-feira, 22 de março de 2011

Blog da Bethânia


A ministra Ana de Hollanda (Cultura) minimizou controvérsia gerada com a aprovação, pelo ministério, de projeto de R$ 1,3 milhão para a criação de um blog com leituras de poesia pela cantora Maria Bethânia. Mas convenhamos que trata-se de um verdadeiro absurdo um artista do renome da cantora Maria Bethânia utilizar da lei de Incentivo a Cultura para captar recursos para a criação de um blog. Imagino a cantora Maria Bethânia chegando ao Ministério da Cultura cantando uma música de grande sucesso – “Grito de Alerta” de Gonzaguinha – e implorando pela benesse: “...São tantas coisinhas miúdas/ Roendo, comendo/ Arrasando aos poucos/ Com o nosso ideal /São frases perdidas num mundo/ De gritos e gestos/ Num jogo de culpa/ Que faz tanto mal... Não quero a razão/ Pois eu sei/ O quanto estou errado...”. É uma pena que uma artista de tamanho renome tenha feito tal pedido e que o Ministério da Cultura tenha aceitado.