sábado, 5 de setembro de 2015

Mudanças







Uma vez eu publiquei um diploma de otário para quem votou no PT e recebi uma crítica de um amigo meu de infância que me deixou sem graça. Mas vamos lá: não é que quem votou no PT seja otário, pois entendo que nestes 12 anos a população colheu frutos de uma política de distribuição de renda, mesmo que tenha sido de forma equivocada. Como um estado paternalista, nunca se distribuiu tantas benesses (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Minha Casa Melhor). Neste período, a economia cresceu, realizamos grandes eventos como a Copa do Mundo e teremos os Jogos Olímpicos ano que vem. Para quem usufruiu disso tudo e hoje vive atordoado com seu salário corroído pela inflação ou a perda de emprego deve ser difícil tentar entender o que possa ter ocorrido com o governo tão perfeito, que sem deixar um furo trazia um futuro esplêndido e duradouro! Este pobre escriba apanhou nas redes sociais e em debates na rua, pois sempre enxerguei o fenômeno como o "voo da galinha", sem os fundamentos econômicos para manter a economia decolando seria impossível que o governo mantivesse este quadro descrito acima. Tudo que vivemos foi graças a China que comprava todas as commodities por nós produzidas e nos lambuzamos como nunca e agora temos que limpar a bagunça de fim de festa e contar os mortos e feridos. Precisamos de reformas urgentes no âmbito político, tributário e revermos o pacto federativo. Caso contrário, sucumbiremos com a falta de educação, infraestrutura e o descalabro deste estado inchado e corrupto que vivemos. Assim como milhares de pessoas estão procurando novos rumos fugindo de lugares violentos, inóspitos e sem perspectivas, logo veremos jovens procurando um futuro melhor fora do país.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Estado falido

No sistema federalista, em que os estados gozam de plena autonomia e os impostos ficam onde a riqueza é produzida, pensar em governador indo até o governo central pedir ajudar financeira ou ter receita de impostos retidos por este governo é algo que soa surreal. Certa vez Nova Iorque estava literalmente quebrada e bateu nas portas de Washington e recebeu um sonoro não. A cidade teve que se reinventar (algo que esta na sua genética) e hoje é o que é. Aqui no Brasil, fruto de uma Constituição torta, que deu aos estados deveres e a União a incumbência de repassar recursos para saúde e educação convivemos com estados sem autonomia e governadores que precisam se humilhar para conseguir recursos para suas regiões. Soma-se a gastos desmedidos (algo que ocorre em todos os níveis de governo), previdência pública quebrada e por fim o tal "esqueleto da dívida", criado na época do PROER, quando o Banco Central socorreu os bancos estaduais falidos e em troca coube aos estados pagar mensalmente o serviço desta dívida para a União. Aqui no Rio Grande do Sul, por questões de um orgulho bairrista, ficamos com o Banrisul e tivemos a nossa dívida aumentada de forma estratosférica. Somado com os desgovernos que tivemos, aumentando constantemente o gasto com o pessoal, através de CCs, criação da UERGS ou empresa para cuidar de rodovias, temos um estado insolvente que não consegue responder a nenhum anseio da sociedade. Sem solução a vista (para abrir uma empresa basta um canetaço e para fechar um referendo), com a pressão da sociedade e servidores, o governo irá aumentar o ICMS, recaindo sobre o setor produtivo o pesado fardo que este Estado carrega. Em tempos de recessão, poderemos ver esta medida não surtir efeito, pois se o aumento não é suportado pelas empresas e sociedade a tendência é ver investimentos fugirem daqui e empresas fecharem as portas. Pobre Rio Grande do Sul, seremos uma Argentina ou uma Grécia sem ajuda dos países da Zona do Euro.


sábado, 17 de janeiro de 2015

Base da pirâmide, o alvo de populistas



            Sou formado em administração de empresas e se para alguma coisa serviu meu curso foi para entender como funciona a mentalidade das pessoas e das organizações compostas por elas. Lembro bem da Teoria Clássica de Taylor e Fayol e seus os primeiros estudos sobre a teoria da administração. Fayol relacionou 14 princípios de acordo com seus pensamentos. São estes: divisão do trabalho, autoridade e responsabilidade, unidade de comando, unidade de direção, disciplina, prevalência dos interesses gerais, remuneração, centralização, hierarquia, ordem, equidade, estabilidade dos funcionários, iniciativa e espírito de corpo. Também lembro do estudo de “Tempos e Movimentos” na tentativa de medir em quanto tempo determinada atividade era realizada e tentar otimizá-la através da readequação de processos. Também dentro de estudiosos de escolas de administração, encontramos a experiência de Hawthorne realizada em 1927, pelo Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos (National Research Council), em uma fábrica da Western Electric Company, situada em Chicago, no bairro de Hawthorne e sua finalidade era determinar a relação entre a intensidade da iluminação e a eficiência dos operários medida através da produção. A experiência foi coordenada por Elton Mayo e colaboradores, e estendeu-se à fadiga, acidentes no trabalho, rotatividade do pessoal (turnover) e ao efeito das condições de trabalho sobre a produtividade do pessoal. Nessa fábrica havia um grande departamento onde moças montavam relés de telefone. A tese era que aumentando a luminosidade, a produtividade também aumentaria. A Western Electric fabrica equipamentos e componentes telefônicos. Na época, valorizava o bem-estar dos operários, mantendo salários satisfatórios e boas condições de trabalho. A empresa não estava interessada em aumentar a produção, mas em conhecer melhor seus empregados. Para analisar o efeito da iluminação sobre o rendimento dos operários, foram escolhidos dois grupos que faziam o mesmo trabalho e em condições idênticas: um grupo de observação trabalhava sobre intensidade de luz variável, enquanto o grupo de controle tinha intensidade constante. Curiosamente, no grupo experimental e no grupo de controle, registrou-se um aumento na produtividade. Os pesquisadores não conseguiram provar a existência de qualquer relação simples entre a intensidade de iluminação e o ritmo de produção. Reduziu-se a iluminação na sala experimental. Esperava-se uma queda na produção, mas o resultado foi o oposto, a produção na verdade aumentou. Comprovou-se a preponderância do fator psicológico sobre o fator fisiológico: a eficiência dos operários é afetada por condições psicológicas. Reconhecendo que o fator psicológico influenciava no resultado da pesquisa, os pesquisadores pretenderam eliminá-lo da experiência, por considerá-lo inoportuno, razão pela qual a experiência prolongou-se até 1932, quando foi suspensa em razão da crise econômica de 1929. A conclusão (que ficou conhecida como experiência de Hawthorne) é que o aumento da produtividade não estava relacionado com a intensidade da luz, mas sim com a atenção que estava sendo dada às pessoas. Outro tema desenvolvido durante o curso de administração foi a respeito da Pirâmide de Maslow (Abraham Maslow foi um psicólogo de grande destaque por causa de seu estudo relacionado às necessidades humanas). Segundo ele, o homem é motivado segundo suas necessidades que se manifestam em graus de importância onde as fisiológicas são as necessidades iniciais e as de realização pessoal são as necessidades finais. Cada necessidade humana influencia na motivação e na realização do indivíduo que o faz prosseguir para outras necessidades que marcam uma pirâmide hierárquica.
            Fiz esta introdução com estes conhecimentos para tentar associar a base da pirâmide de Maslow com a pró-atividade ou a falta dela (pró-atividade é definida como uma ação antecipada, refere-se à tomada de decisões com agilidade e inteligência). Na prática, o profissional pró-ativo enquadra-se no perfil dos que tomam a iniciativa, seja na realização de novos projetos ou na busca por soluções eficazes na empresa, este tipo de profissional está sempre atento, ele não espera, faz acontecer; para isso se comunica, tem liderança, motivação, planejamento e delega o que é possível. Ao meu ver, um sujeito pró-ativo é fruto do meio e da educação adquirida de berço e na escola e através deste arcabouço de conhecimento ele vai em busca de seus objetivos, desde profissionais até pessoais, como viajar ou adquirir mais conhecimento. Contudo, quem está na base da pirâmide, buscando satisfazer tão somente suas necessidades fisiológicas, busca um emprego onde esperam tão somente receber ordens e cumpri-las até a hora de encerrar o expediente. Seus objetivos só vão se expandir a medida em que tiver mais nível de conhecimento, tanto de estudo quanto de vivência e relacionamento interpessoal, fazendo ter um escopo maior que vai além de fatores meramente fisiológicos.
            Reparem tudo que foi dito acima e acompanhem mais uma vez minha linha de raciocínio: quanto menor o estudo, menos pró-ativo, menos ambicioso e menos contestador o ser humano é. Está ai um “rebanho” imenso para ser arrematado por governantes populistas que se perpetuam no poder através de suas políticas populistas (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, etc.), sem a mínima necessidade de oferecer um nível de educação que faça estas pessoas crescerem ou almejarem novos objetivos. Alguém acredita que o novo lema do governo “Brasil, pátria educadora” vai ser aprofundado? Claro que não, pois o populismo necessita de gente que não questione e viva na base da pirâmide. Quem consegue avançar na pirâmide ou vive de forma desconfortável, no sentido em que tem consciência do que está acontecendo, mas não tem poder de mudança, ou simplesmente busca em outros países atingir seu grau máximo de felicidade e prosperidade.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Cachorros e chargistas.




            Ainda chocado pela morte dos chargistas na França por dois radicais islâmicos, voltava de viagem com minha esposa e filho e, enquanto dirigia meu carro, a Fernanda, minha mulher, mostrou um post do Facebook com a notícia de que uma organização humanitária tinha salvado 23 cachorros que seriam sacrificados para virar comida na Coréia do Sul - a Sociedade Humanitária Internacional (HSI, na sigla em inglês), com sede em Washington, localizou os cachorros em uma fazenda de Ilsan, que fica perto de Seul, onde eles estavam sendo criados especificamente para o consumo humano e os resgatou levando-os para uma região próximo a Washington, nos EUA. Como amante de cachorro fiquei feliz. Praticamente eu sou carnívoro, mas não como nenhum animal “bonitinho”. Contudo, argumentei que comer cachorro faz parte da cultura coreana e que um indiano deve ficar horrorizado nos vendo em uma churrascaria saboreando uma deliciosa picanha de carne de gado (não esperem que eu vire vegetariano ou vegano). Tenho um primo que em uma viagem a Índia quase foi linchado quando por pouco não atropelou uma vaca.
            Semana passada li que o movimentos neonazistas, manifestações anti-islã e a islamofobia aumenta e recrudesce na Alemanha – e acredito que por toda Europa e mundo ocidental. Confesso que não conhecia o jornal satírico Charlie Hebbo e tampouco os chargistas mortos (Charb, de 47 anos, Cabu, 76 anos ou Wolinski, 80 anos) pelos franco-argelinos. Meu conhecimento de publicação francesa era de algumas manchetes do jornal Le Monde e dos quadrinhos do Asterix e Obelix, criados por Uderzo e Goscinny. Ouvindo o rádio nesta mesma viagem, um jornalista disse que o jornal atacado pelos terroristas costuma pegar forte com a direita, esquerda, católicos judeus e islâmicos com charges pesadas e de baixo nível. Em uma democracia, com um estado de direito forte e um judiciário atuante, o ofendido tem todo o direito de entrar com uma ação de reparação por perdas e danos morais. Mas onde tem este conceito de democracia em países onde o estado tem o Alcorão como sua “carta constitucional”?
            Aprendi nas minhas aulas de física que “para toda ação existe uma reação com força igual ao contrário” e me parece serem estes os fenômenos que estamos vendo pelo mundo. Os islâmicos ofendidos reagem de forma brutal, sobretudo os radicais, mesmo que tenham nascido no território francês, como foi o caso. Por outro lado, esta ação terrorista de uma minoria cega e doente, faz crescer outros movimentos anti-islâmicos, como acontece pela Alemanha. O que fazer? A França é um país que sempre recebeu imigrantes de diversas regiões por ela colonizada e a eles deu todas condições para viverem em paz. Por outro lado, com a falta de emprego e oportunidade, a juventude européia vê neles uma séria ameaça para seu futuro. Juntando com o extremismo religioso, prevejo sérios embates entre estes movimentos e os muçulmanos que por lá querem viver em paz. Temos que aceitar as diferenças, desde aqueles povos que comem carne de cachorro, aos que cultuam a vaca ou aos que adoram o churrasco.   
 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Educação de base já.


 

 

 

           Sou servidor da UFRGS e se fosse me dado o direito de opinar sobre a abertura do campus litoral eu votaria contra. O Brasil não necessita mais de universidades públicas, precisamos inverter a pirâmide de investimentos no ensino e aplicar de forma qualificada no ensino de base, saindo da discussão cansativa que centraliza só os ganhos salariais dos professores, passando por uma melhoria da infraestrutura das escolas, melhor qualificação do quadro funcional e implementação da meritocracia. O que vemos como política é o governo alardear os investimentos feitos em universidades, as ações afirmativas e políticas que pouco resultado devolvem a sociedade em forma de pesquisa e valor agregado para a economia.

            Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013, divulgada em setembro de 2014, o ensino médio é cursado até o seu final por apenas 54,3% dos jovens até os 19 anos. O estudo mostra ainda que 19,6% dos jovens de 15 a 17 anos estão ainda no ensino fundamental, 15,7% não estudam e não concluíram o ensino médio, e 5,9% não estudam mas já terminaram o ensino médio. No ensino fundamental, a taxa de conclusão até os 16 anos foi de 71,7%. O estudo apontou ainda diferença de aproximadamente 20 pontos percentuais entre as taxas de jovens declarados brancos que concluíram o ensino fundamental aos 16 anos (81%) e o ensino médio aos 19 anos (65,2%), e aqueles que se declaram negros (60% e 45%, respectivamente). Em relação à renda, entre os 25% mais ricos, 83,3% terminam o ensino médio. Já entre os 25% mais pobres, este índice cai para 32,4%.

Apesar de importantes, as políticas de inclusão social ou de ação afirmativa no ensino superior atreladas somente ao vestibular – ou a processos seletivos como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) – são insuficientes para solucionar o problema da exclusão de jovens oriundos de escola pública. Isso porque a exclusão nas universidades estaduais e federais ocorre antes mesmo do processo de seleção dos candidatos para os cursos de graduação. A avaliação foi feita por Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante o simpósio Excellence in Higher Education.
Quando se fala em ação afirmativa, a minha opinião é clara: se for para dar que seja por fator renda e não por raça, ou a raça negra é inferior. A realidade é que temos no Brasil cerca de 109 universidades públicas e 38 Institutos Federais com status de universidades que devolvem muito pouco para a sociedade. O economista Eduardo Giannetti defende o ensino pago nas universidade públicas, pelo menos para os estudantes que podem pagar e, segundo ele, os que fizeram nível médio em escola particular, podem pagar ensino universitário. Vamos quebrar o paradigma da educação, pois os recursos do pré-sal não chegaram ao destino preconizado pelo governo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Lula voltará.



O governo FHC teve o grande mérito de debelar com a inflação através do Plano Real e, após seu mandato, todos economistas e especialistas em contas públicas alardeavam que para o Brasil continuar rumando em busca do desenvolvimento econômico sustentável uma série de reformas deveriam ser tomadas logo em seguida: previdenciária, enxugamento do estado, investimento em educação de base, infraestrutura, desburacratização, reforma tributária etc. Mas o que se viu no período em que o PT está no governo foi a falência completa do Estado. O número de ministérios pulou para 39, nenhuma reforma saiu do papel e a megalomania do Presidente Lula, aquele da frase “nunca antes da história deste país”, trouxe para o Brasil uma conta alta a pagar com a realização de eventos gigantescos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Somado a enormidade de gastos do Estado inchado, convivemos com uma corrupção endêmica que coloca em descrédito a o governo.
            Com as eleições a vista, provavelmente teremos o fim da era petista. Contudo, com as imensas dificuldades que o próximo presidente irá enfrentar, prevejo que o Lula voltará como “salvador da pátria” logo em seguida. Mas desta vez ele irá afundar de vez o país, pois não terá a China comprando tudo quanto é commodities produzida por aqui, fato que salvou a combalida economia brasileira e seu governo claudicante. Infelizmente, com a falta de uma agenda e projeto para o Brasil, o político para chegar a presidência terá que seguir a atual política: deixar a educação em frangalhos e distribuir inúmeras “bolsas” e auxílios tirando o couro da classe média através de impostos. O futuro do Brasil é algo tipo Argentina e Venezuela. Não sou a Mãe Dináh, mas prevejo dias muito ruins para os brasileiros.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Efeitos deletérios.





            Estamos em 2014 e ainda vivemos efeitos deletérios herdados de acontecimentos históricos do passado. No oriente médio temos a constante tensão entre palestinos e judeus. Agora, assistimos um presidente deposto na Ucrânia e o exército russo invadindo a região da Crimeia. Não sou historiador, mas vou relembrar os fatos para entendermos um pouco o que estamos vivendo.
            Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo ficou de frente com as sequelas de anos de crueldade: mais de seis milhões de judeus exterminados nos campos nazistas. Com isso, as organizações voltadas para ajuda humanitária passaram a resgatar os judeus que sobreviveram nos campos de concentração e embarcá-los clandestinamente para a palestina. A Inglaterra tentou de todas as formas barrar o desembarque dos refugiados, lembrando que a Palestina era concessão britânica. A opinião pública mundial sensibilizada  teve reforçada a ideia de criação de um Estado judeu na Palestina. Em 1947, em assembleia realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, foi deliberada a divisão da Palestina em dois Estados, o Estado Judeu e o Estado Árabe. Em maio de 1948, os judeus, liderados por David Bem Gurion, fundaram oficialmente o Estado de Israel. No entanto, o Estado árabe prenunciado pela ONU nessa partilha não foi estabelecido e os palestinos lutam até hoje para ter o seu Estado. Esse episódio foi denominado Questão Palestina. Assim, resumidamente, entendemos o que acontece hoje naquela região. Teríamos outro ponto de tensão entre os dois povos: a falta de água na região.
            Agora, para entendermos a questão da Ucrânia e a região da Crimeia naquele país vamos voltar ao passado e vermos como foi costurada e antiga URSS. A União Soviética (URSS, USSR ou CCCP) surgiu logo após a Revolução Russa, e era composta de vários países soviéticos e tinha uma enorme extensão geográfica, englobando os Países Bálticos, o leste da Polônia, a Besserábia e excluindo apenas a Polônia e a Finlândia. Durante a Guerra Fria, a URSS criou um poderoso bloco socialista que se estendia da Europa Oriental até a América, passando pelo Extremo Oriente, Sudeste Asiático, Oriente Médio e pela África e todo esse bloco era comandado por Moscou. A URSS cresceu tanto que chegou a ser formada por 15 países na época, até sua dissolução: Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão,  Letônia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e  Uzbequistão. Com a queda do Muro de Berlim começou a ser derrubado depois de 28 anos de existência deste bloco comunista. Não foi apenas a queda, mas também ocorreram grandes manifestações em que se pedia a liberdade, e assim, o Muro de Berlin tornou-se um dos maiores símbolos do fim desse período.
            Voltando a questão da Crimeia, temos a Rússia com todos os vícios da antiga URSS, com bilionários surgidos no setor do petróleo, nascidos de dentro da antiga KGB a base de tráfico de influência e corrupção. Para se ter uma idéia, temos mais bilionários em Moscou do que em Nova Iorque. Por outro lado, lembrando a “limpeza étnica” feita por Hitler, temos o Vladimir Putin com sua obtusa cabeça do tempo da URSS a perseguir gays e o desejo claro de reunificar regiões onde se tem presente a forte presença de cidadãos de origem russa. Paralelo a isto, não pode esquecer da importância do petróleo e dos gasodutos que varrem toda a região. Não tenho a mínima idéia do que irá acontecer nesta região, mas temos claramente um desejo da população ucraniana de se ver livre de dirigentes corruptos e se aliar a Europa Ocidental para tentar vivenciar um crescimento econômico e social semelhante ao que teve a antiga Alemanha Oriental e do outro lado a força do exército e do dinheiro russo tentando manter sob seu controle antigas regiões do bloco soviético. Afinal, a Guerra Fria ainda não acabou?